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EDUCAÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO


A educação e a sensibilização são as áreas que promovem conhecimentos, atitudes e comportamentos, conferindo um grande potencial de proteção à sociedade. Por isso, são aquelas que mais podem contribuir para a correção dos resultados menos positivos em termos de ciber-higiene. São os domínios que têm o poder de fechar o círculo da capacitação, isto é, agir ou reagir relativamente aos diagnósticos sobre a consciência dos cidadãos acerca destas matérias. A Îducação%D neste contexto engloba os cursos formais, certificados, no âmbito da formação profissional e do ensino superior. A %Csensibilização%D compreende as ações de consciencialização que procuram promover os comportamentos mais seguros junto de todos os atores sociais, como cidadãos em geral, chefias, trabalhadores ou mesmo profissionais de cibersegurança.


EDUCAÇÃO

Em relação à cibersegurança, os diagnósticos estão feitos. Existe uma significativa falta de profissionais nesta área, quer a nível internacional (TCE, 2019), quer em Portugal (APDSI, 2020). Todavia, nos últimos anos, é possível verificar que existe um aumento no número de cursos e no número de alunos no país. Neste subcapítulo, consideram-se os cursos profissionais não superiores e os cursos superiores registados pelas instituições governamentais ligadas à educação. Sempre que possível, analisam-se os números de inscritos e diplomados, bem como a percentagem de mulheres que frequentam estes cursos, tendo em conta a também diagnosticada sub-representação feminina a este nível (TCE, 2019; CNCS, 2019).


Cursos de Especialização Tecnológica, não superiores, de Cibersegurança e Segurançade Informação, em Portugal, divulgados pela DGES em 2020*
Formação Tipo/Grau Instituição
Cibersegurança CET ATEC - Associação de Formação para a Indústria
Cibersegurança (NOVO) CET Centro de Emprego e Formação Profissional de Coimbra
Cibersegurança (NOVO) CET Instituto Profissional de Tecnologias Avançadas para a Formação, Lda.
Cibersegurança (NOVO) CET NOVOTECNA - Associação para o Desenvolvimento Tecnológico
Tabela 27 | DGES (recolha CNCS)

*A metodologia de recolha dos dados alterou em relação ao ano anterior. Consultar Nota Metodológica.


Existem atualmente quatro Cursos de Especialização Tecnológica na área da cibersegurança, sendo que três desses cursos foram registados em 2020.


Cursos superiores de Cibersegurança e Segurança de Informação, em Portugal, registados na DGES em 2020. *
Formação Tipo/Grau Instituição
Cibersegurança Curso Técnico Superior Profissional ATEC - Associação de Formação para a Indústria
Cibersegurança (NOVO) Curso Técnico Superior Profissional Instituto Politécnico da Lusofonia - Escola Superior de Engenharia e Tecnologias
Cibersegurança Curso Técnico Superior Profissional Instituto Politécnico de Bragança - Escola Superior de Tecnologia e de Gestão de Bragança
Cibersegurança, Redes e Sistemas Informáticos Curso Técnico Superior Profissional Instituto Politécnico do Porto - Escola Superior de Tecnologia e Gestão
Cibersegurança, Redes e Sistemas Informáticos Curso Técnico Superior Profissional Instituto Politécnico Jean Piaget do Sul - Escola Superior de Tecnologia e Gestão Jean Piaget
Redes e Segurança Informática Curso Técnico Superior Profissional Instituto Politécnico do Cávado e do Ave - Escola Técnica Superior
Segurança Informática em Redes de Computadores Licenciatura Licenciatura Instituto Politécnico do Porto - Escola Superior de Tecnologia e Gestão
Cibersegurança Mestrado Instituto Politécnico de Viana do Castelo - Escola Superior de Tecnologia e Gestão
Cibersegurança (NOVO) Mestrado Universidade de Aveiro
Cibersegurança e Informática Forense Mestrado Instituto Politécnico de Leiria - Escola Superior de Tecnologia e Gestão
Engenharia de Segurança Informática Mestrado Instituto Politécnico de Beja - Escola Superior de Tecnologia e de Gestão
Segurança de Informação e Direito no Ciberespaço Mestrado Universidade de Lisboa - Faculdade de Direito e Instituto Superior Técnico; com Instituto Universitário Militar - Escola Naval
Segurança Informática Mestrado Universidade de Coimbra - Faculdade de Ciências e Tecnologia
Segurança Informática Mestrado Universidade de Lisboa - Faculdade de Ciências
Segurança Informática Mestrado Universidade do Porto - Faculdade de Ciências
Segurança de Informação Doutoramento Universidade de Lisboa - Instituto Superior Técnico
Tabela 28 | DGES (recolha CNCS)

*Não contempla Pós-Graduações.


DESTAQUES

Em relação à edição anterior deste Relatório, foram criados dois cursos em "Cibersegurança": um Curso Técnico Superior Profissional, pelo Instituto Politécnico da Lusofonia, e um Mestrado, pela Universidade de Aveiro;

Ao todo, existem seis Cursos Técnicos Superiores Profissionais, uma Licenciatura, oito Mestrados e um Doutoramento nas áreas de cibersegurança e segurança de informação &ndash portanto, o primeiro ciclo do ensino superior, Licenciatura, é o nível que tem menos cursos nestas áreas, comparativamente.


Número de alunos inscritos em cursos superiores de Cibersegurança e Segurança de Informação, em Portugal, registados na DGEEC, 2009-2020.*
  09/10 10/11 11/12 12/13 13/14 14/15 15/16 16/17 17/18 18/19 19/20
TOTAL 27 39 91 98 146 124 243 257 361 509 636
Tendência % N/A +44 +133 +8 +49 -15 +96 +6 +40 +41 +25
Tabela 29 | DGEEC (recolha CNCS)

*Contempla 2 Pós-Graduações: Informações e Segurança (ISCSP-U. Lisboa)e Gestão de Informações e Segurança (ISEGI - U. Nova Lisboa)


Total de alunos inscritos em cursos superiores de cibersegurança e segurança de informação,em Portugal, registados na DGEEC, 2009-2019.
Figura 51
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Figura 51 | DGEEC (recolha CNCS)


Percentagem de mulheres inscritas em cursos superiores de cibersegurança e segurança de informação, em Portugal, registados na DGEEC, 2009-2019.
Figura 52
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Figura 52 | DGEEC (recolha CNCS)


DESTAQUES

Embora o número de alunos que se inscreveram em cursos superiores de Cibersegurança e Segurança de Informação continue a aumentar de forma contínua desde 2009, com um crescimento de 25% entre o ano letivo de 2018/2019 e o de 2019/2020, a percentagem de mulheres que se inscreveram nesses cursos tem vindo a decrescer desde 2015/2016, atingindo os 10% em 2019/2020, menos 1 pp do que no ano letivo anterior.


Número de alunos diplomados em cursos superiores de Cibersegurança e Segurança de Informação, em Portugal, registados na DGEEC, por curso, 2009-2019.*
  09/10 10/11 11/12 12/13 13/14 14/15 15/16 16/17 17/18 18/19 19/20
TOTAL 10 12 10 13 11 38 18 70 361 88 75
Tendência % N/A +20 -17 +30 -15 +245 -53 +289 +40 +26 -15
Tabela 30 | DGEEC (recolha CNCS)

*Existe uma ligeira correção do nº de diplomad0s em 2016/2017 e em 2017/2018em relação ao Relatório Sociedade 2019.


Total de alunos diplomados em cursos superiores de cibersegurança e segurança de informação,em Portugal, registados na DGEEC, 2009-2019.
Figura 53
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Figura 53 | DGEEC (recolha CNCS)


Percentagem de mulheres diplomadas em cursos superiores de cibersegurança e segurança de informação, em Portugal, registados na DGEEC, 2009-2019.
Figura 54
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Figura 54 | DGEEC (recolha CNCS)


DESTAQUES

O número de alunos que se diplomaram em cursos superiores de Cibersegurança e Segurança de Informação decresceu 15% no ano letivo 2018/2019, comparando com 2017/2018;

A percentagem de mulheres que se diplomaram em cursos superiores de Cibersegurança e Segurança de Informação decresceu de 15% em 2017/2018 para 4% em 2018/2019.


SENSIBILIZAÇÃO


A sensibilização como atividade responde à necessidade de dotar os cidadãos em geral de competências digitais em cibersegurança. O caráter horizontal do fator humano na cibersegurança (Fovino et. al, 2019) faz com que devamos considerar que todos os utilizadores são agentes de segurança das redes e da informação. Portugal continua a apresentar níveis insatisfatórios quanto ao capital humano em termos de digitalização, comparando com a média da UE (CE, 2020), daí que os cursos de caráter mais formal e as ações de sensibilização sejam fundamentais neste domínio, não só para aprofundar os conhecimentos dos especialistas, mas também para disseminar as competências mínimas pelos cidadãos em geral. Um relatório do Oliver Wyman Forum, que apresenta um Cyber Risk Literacy and Educa-(OWF, 2020), embora evidenciando como pontos fortes de Portugal a inclusão da população no esforço para a literacia sobre cibersegurança e um foco razoável do sistema educacional nesta literacia, mostra também que há ainda muito por fazer ao nível da motivação da população para as boas práticas. É neste esforço que as ações de sensibilização têm um papel importante.

Neste subcapítulo, apresentam-se os programas de sensibilização considerados mais relevantes, bem como os indicadores quanto a ações de sensibilização junto dos trabalhadores das empresas e da Administração Pública Central e Regional e Câmaras Municipais, fornecidos pelo Eurostat e pela DGEEC, fontes já utilizadas no capítulo anterior.
Ação Tipo de Ação Organização Sessões realizadas Pessoas alcançadas
Ações do Centro Internet Segura Ações de sensibilização online e presenciais Linha Internet Segura, da APAV 4 350
  Ações de sensibilização online e presenciais e cursos online. Formações de professores creditadas. Campanhas de sensibilização nas Escolas. Iniciativas de Sensibilização Desafios SeguraNet e Líderes Digitais. Integração curricular. Seguranet e outras atividades, da DGE 220 Cerca de 950 000 (cerca de 6 000 em cursos online)
  Ações de sensibilização presenciais IPDJ 454 12 419
  Ações de sensibilização presenciais e peças de teatro Fundação Altice 1 862* 70 180*
  Ações de sensibilização presenciais, durante o mês de fevereiro, no âmbito das celebrações do Dia da Internet Mais Segura Consórcio do Centro Internet Segura e parceiros ** 421 488***
  Ação de sensibilização presencial do Dia da Internet Mais Segura, na Região Autónoma da Madeira Consórcio do Centro Internet Segura 1 400
Cibersegurança nas PME - A sua empresa está protegida? Seminários de sensibilização presenciais IAPMEI 4 139
Eventos, Formação e Programa de Sensibilização em Cibersegurança e Ciberdefesa Ações de sensibilização online e presenciais, Conferências, Seminários, Workshops e cursos de formação CIIWA 21 2940 (1320 em Simpósio Internacional e Web Summit)
Executive Dialogue on Cybersecurity e COTEC Innovation Summit Conferências de sensibilização presenciais COTEC 3 796
Programa de Sensibilização e Treino em Cibersegurança Ações de sensibilização online e presenciais e curso online CNCS 117 27 842 (18 646 em curso online)
Tabela 31 | CNCS e CCIS (entidades referenciadas)

*Refere-se ao ano letivo 2018/2019.
**Dados indisponíveis.
***Parte deste número de pessoas alcançadas pode englobar alguns dos números de pessoas alcançadas indicados pelas outras ações de membros do Consórcio do Centro Internet Segura. Por esta razão optou-se por não apresentar totais de todas as ações. Acresce que os números apresentados no âmbito do Centro Internet Segura ainda não resultam de uma análise exaustiva, pecando por defeito.


DESTAQUES

As ações realizadas no âmbito do Consórcio Centro Internet Segura atingiram em 2019 mais de 400 mil pessoas;

Apenas dois dos programas identificados, da DGE e do CNCS, integram cursos online;

Os programas de sensibilização em Portugal atingem mais de um milhão de indivíduos.


Sensibilização dos colaboradores sobre a segurança das TIC nas empresas, em Portugal, 2019. (%)
  Todas Pequenas Médias Grandes
  PT UE PT UE PT UE PT UE
Empresas que tornam os colaboradores conscientes das suas obrigações em aspetos relacionados com a segurança das TIC 54 62 50 58 * 78 88 91
Empresas que não tornam os colaboradores conscientes das suas obrigações em aspetos relacionados com a segurança das TIC 45 34 49 38 * 21 12 9
Empresas que tornam os colaboradores conscientes das suas obrigações em aspetos relacionados com a segurança das TIC, através de formação voluntária ou de informação interna disponível (p. ex. informação na intranet) 45 44 40 40 * 61 80 78
Empresas que tornam os colaboradores conscientes das suas obrigações em aspetos relacionados com a segurança das TIC, através de formação obrigatória ou consultando material obrigatório 27 24 24 21 * 35 54 53
Empresas que tornam os colaboradores conscientes das suas obrigações em aspetos relacionados com a segurança das TIC, através de contrato (p. ex. contrato de trabalho) 27 37 24 34 * 51 53 63
Tabela 32 | Eurostat 2020c

*Dados indisponíveis.


Sensibilização dos colaboradores sobre a segurança das TIC nas empresas, em Portugal.Comparação com a UE. Todas as empresas. (%)
Figura 55
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Figura 55 | Eurostat 2020c


DESTAQUES

Existem menos empresas, em Portugal (54%), do que a média da UE (62%) que tornam os colaboradores conscientes das suas obrigações em aspetos relacionados com a segurança das TIC;

As empresas, em Portugal, que o fazem, na sua maioria recorrem a formação voluntária ou informação interna disponível, em 45% dos casos. Apenas 27% recorrem a formação ou materiais obrigatórios. Esta tendência está alinhada com a média da UE;

As grandes empresas são as que mais tornam os colaboradores conscientes das suas obrigações em aspetos relacionados com a segurança das TIC, com 88% em Portugal e 91% na média da UE.


Tipo de ação efetuada junto do pessoal ao serviço para consciencialização das suas obrigações em matéria de segurança das TIC, nas entidades da Administração Pública, em Portugal, 2019.Entidades da Administração Pública Central e Regional e Câmaras Municipais. (%)
  AP
Central
AP
Açores
AP
Madeira
CM
Ações de formação voluntária ou informação interna disponível 63 60 56 58
Ações de formação obrigatória e/ou consulta obrigatória de informação 25 19 18 19
Disposições contratuais 24 13 11 20
Tabela 33 | DGEEC 2020a e 2020b

Tipo de ação efetuada junto do pessoal ao serviço para consciencialização das suas obrigações em matéria de segurança das TIC, nas entidades públicas da Administração Pública, em Portugal, 2019.Administração Pública Central e Regional e Câmaras Municipais. (%)

Figura 56
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Figura 56 | DGEEC 2020a e 2020b


DESTAQUES

No âmbito da consciencialização das obrigações em matéria de segurança das TIC, a maioria das entidades da Administração Pública Central e Regional e Câmaras Municipais realiza ações de formação voluntárias ou disponibiliza informação interna, com percentagens entre os 56% (AP Madeira) e os 63% (AP Central);

As disposições contratuais são o tipo de ação menos frequente neste âmbito, com valores entre os 11% (AP Madeira) e os 24% (AP Central).


Síntese - A Educação e a Sensibilização, em Portugal, sobre Cibersegurança



Existe um aumento, entre 2019 e 2020, do número de cursos profissionais de Especialização Tecnológica em Cibersegurança.

Também aumentou o número de cursos superiores em Cibersegurança e Segurança de Informação. Não obstante, continua a haver apenas uma licenciatura.

O número de alunos que se inscreveram em cursos superiores de Cibersegurança e Segurança de Informação aumentou em 2019, pelo quinto ano consecutivo. O número de alunos que se diplomaram em cursos superiores de Cibersegurança e Segurança de Informação decresceu em 2019, comparando com 2018.

A percentagem de mulheres que se inscreveram e diplomaram em cursos superiores de Cibersegurança e Segurança de Informação diminuiu em 2019, em relação a 2018.

Os programas de sensibilização para a Cibersegurança e Segurança de Informação atingem mais de um milhão de indivíduos.

As empresas sensibilizam menos os seus colaboradores do que a média da UE.

A maioria das empresas e das entidades da Administração Pública recorrem a ações de formação voluntária ou disponibilizam informação interna, em lugar de obrigatória.

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Última atualização em 04-04-2021