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A relevância das mulheres na cibersegurança
Isabel Baptista - 15.03.2022

De acordo com o estudo Global Information Security Workforce Study (VVAA, 2017), as mulheres representam apenas 11% da força de trabalho na cibersegurança e o lado mais negativo é que este número não cresceu nos últimos cinco anos. Em Portugal, segundo o inquérito da AP2SI, apoiado pelo Observatório de Cibersegurança do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), em 2019, 9% dos profissionais desta área eram mulheres e, em 2021, o valor é de 14% (AP2SI, 2021).

Neste sentido, a ENISA - Agência Europeia para a Cibersegurança intensificou os seus esforços e reforço das suas capacidades de cibersegurança para proteger a sociedade digital, a economia e a democracia, tendo como premissa a diversidade e o equilíbrio de género. A ENISA coopera com iniciativas como o “WOMEN in DIGITAL Programme" da Comissão Europeia e a "Women in Cyber" da ECSO. Estas iniciativas pretendem aumentar a consciencialização e o equilíbrio de género em funções de cibersegurança, cibersegurança dos IoT, cibersegurança na área da saúde, dos transportes, da defesa, entre outros. Em Portugal, segundo o Relatório Sociedade 2021 do Observatório de Cibersegurança do CNCS, a percentagem de mulheres inscritas em cursos superiores de cibersegurança e segurança de informação ainda é baixa, embora tenha aumentado 1 pp no ano letivo 2020/2021 (de 7% para 8%)  (CNCS, 2021).

Objetivo: aumentar o número de mulheres na área da cibersegurança 

No âmbito nacional, o CNCS tem trabalhado para que estes números sejam incrementados, salientando que é um trabalho contínuo e em parceria com as organizações nacionais e internacionais. 

Anualmente, comemora-se o "Girls in ICT", uma iniciativa que tem como meta principal inspirar futuras gerações a colmatar a disparidade de género no sector. Diminuir esta disparidade passa, necessariamente, pela consciencialização e informação das mulheres sobre as oportunidades do sector educativo e profissional das Tecnologias de Informação e Comunicação. Este trabalho de sensibilização e consciencialização, para ser eficaz, deverá estar amplamente articulado através das várias comunidades que constituem o sector.

O "Cyber Security Challenge PT" é uma iniciativa nacional que seleciona a equipa de estudantes que representa Portugal no “European Cyber Security Challenge” e no “Internacional Cyber Security Challenge” e que fomenta a participação de jovens alunas. As relações entre escolas, empresas, associações e organizações públicas são a componente-chave para o sucesso desta inclusão. 

A importância da diversidade 

Numa era em que a diversidade e a igualdade estão na ordem do dia, nas organizações e nas orientações estratégicas dos países, também na área da cibersegurança é necessário que esta diversidade e igualdade de género ocorra.  

A cibersegurança pode ser encarada com uma área específica e altamente especializada no mundo das Tecnologias de Informação, ou totalmente transversal e holística à sociedade. Foco-me na segunda hipótese: a cibersegurança transversal à sociedade.

Para que possamos olhar para a cibersegurança de uma forma holística, esta deve atuar numa perspetiva preventiva, atuando nas componentes:
•    da capacitação das pessoas através da educação e da sensibilização; 
•    da capacitação das organizações através de referenciais de boas práticas e certificações; 
•    da cooperação nacional e internacional, colocando todas as organizações-chave para a cibersegurança em articulação; 
•    da regulação e supervisão, assegurando que os serviços públicos e privados considerados essenciais para o bem-estar da sociedade e dos cidadãos apresentam um elevado patamar de cibersegurança; 
•    da promoção de um panorama situacional que forneça à comunidade indicadores necessários para uma atuação criteriosa e estruturada;
•    e numa perspetiva reativa, aproximando as comunidades da reação a incidentes de cibersegurança  - que tem por objetivo auxiliar as vítimas na recuperação de ciberataques, na investigação criminal e na prossecução judicial - com o propósito ainda de identificar os autores desses ciberataques e apresentá-los à justiça.

Inspirar para uma carreira na área

Apresentado todo o espectro de atuação da cibersegurança, conseguimos imaginar uma carreira interessante e gratificante. Sabemos que já existem várias mulheres talentosas e inspiradoras nesta carreira, no entanto, não são suficientes. Pelo facto dos números das mulheres na área da cibersegurança serem pouco expressivos, muitas vezes as alunas que se encontram em fase de decisão de área académica não consideram prosseguir estudos na área da cibersegurança, nem posteriormente ter carreira nesta mesma área.

Perseguindo o objetivo da diversidade e igualdade devemos ter como objetivo aumentar o número de mulheres na carreira de cibersegurança. 

Nota:
Na Europa 7% de quem trabalha em cibersegurança é mulher (ENISA, 2019).  
No CNCS, temos uma representação de cerca de 42% de mulheres (pessoalmente sinto-me orgulhosa por poder contribuir para este número).
Última atualização em 15-03-2022